Blog do Professor Márcio

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quarta-feira, 25 de abril de 2018

RETIRADA DO SÍMBOLO DE IDENTIFICAÇÃO TRANSGÊNICO

Da temeridade ambiental à afronta aos direitos constitucionais. 

Entrevista especial com Leonardo Melgarejo

IHU
A decisão da Comissão de Meio Ambiente do Senado, de aprovar a retirada do símbolo de identificação de transgênico em rótulos de produtos alimentícios, atende aos interesses do mercado e é “uma temeridade sob o ponto de vista ambiental” e “um crime contra direitos constitucionais, uma afronta à legislação, no que tange a direitos dos consumidores”, diz o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo à IHU On-Line. Para ele, a argumentação da Comissão de Meio Ambiente do Senado se baseia em uma “mitologia criada pelas indústrias beneficiadas pela ocultação de danos e riscos associados aos transgênicos. Afirmam que ‘inexistem evidências de danos’, quando há farta bibliografia apontando problemas. Afirmam que há farta bibliografia apontando inexistência de riscos, quando a maior parte destes estudos são elaborados, patrocinados ou associados às empresas beneficiadas. Afirmam que tais estudos são robustos, quando existem evidências de fragilidade no prazo de análise, no tamanho e na representatividade das amostras”.
Segundo ele, se a medida for aprovada definitivamente, “facilitará alocação de recursos públicos para as lavouras transgênicas, bem como a rolagem e o perdão de dívidas do agronegócio a elas associado”. A decisão, frisa, também “beneficiará o mercado de agrotóxicos, especialmente de herbicidas, com as implicações conhecidas”.
A tendência de aprovação é enorme. A única possibilidade de reversão neste processo de degradação das normas e contratos sociais reside na reação da população, o que depende de acesso a informações que não circulam na grande mídia. Iniciativas como esta, do IHU, contribuem de forma expressiva, mas são insuficientes para dar conta do problema. Precisamos de uma Voz do Brasil, umacadeia de mídia verdadeira preocupada e comprometida com os interesses nacionais.
Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo e doutor em Engenharia de Produção. É vice-presidente regional Sul da Associação Brasileira de Agroecologia.

quarta-feira, 28 de março de 2018

FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA

Declaração final do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA 2018) reafirma: ‘água não é mercadoria, a água é do povo’

Declaração final do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA 2018) reafirma: 'água não é mercadoria, a água é do povo'
Foto: Matheus Alves
Compreendendo o FAMA como algo maior que um evento, as organizações que convergiram na construção da luta pela água divulgam esta declaração final. O compromisso fundamental é de se manter em luta, enraizar os processos de construção até aqui realizados e manter a mobilização viva.
O documento reafirma a luta contra qualquer privatização e o estabelecimento de propriedade privada da água. O FAMA defende a água como um bem comum, ou seja, que deve ser controlado e estar a serviço do povo, reforçando o lema do encontro: “Água é direito, não mercadoria”.
Assinam o documento 36 organizações. As demais entidades do Brasil e do mundo que quiserem subscrever o documento, devem enviar solicitação, até o dia 12 de abril, à Secretaria Operativa do FAMA, pelos e-mails: operativafama@gmail.com/metodologiafama2018@gmail.com.
Confira abaixo a íntegra da declaração:

DECLARAÇÃO FINAL DO FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DAS ÁGUAS

Quem somos
Nós, construtores e construtoras do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), reunidos de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília, declaramos para toda a sociedade o que acumulamos após muitos debates, intercâmbios, sessões culturais e depoimentos ao longo de vários meses de preparação e nestes últimos dias aqui reunidos. Somos mais de 7 mil trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, das águas e das florestas, representantes de povos originários e comunidades tradicionais, articulados em 450 organizações nacionais e internacionais de todos os continentes. Somos movimentos populares, tradições religiosas e espiritualidades, organizações não governamentais, universidades, pesquisadores, ambientalistas, organizados em grupos, coletivos, redes, frentes, comitês, fóruns, institutos, articulações, sindicatos e conselhos.
Na grandeza dos povos, trocamos experiências de conhecimento, resistência e de luta. E estamos conscientes que a nossa produção é para garantir a vida e sua diversidade. Estamos aqui criando unidade e força popular para refletir e lutar juntos e juntas pela água e pela vida nas suas variadas dimensões. O que nos faz comum na relação com a natureza é garantir a vida. A nossa luta é a garantia da vida. É isso que nos diferencia dos projetos e das relações do capital expressos no Fórum das Corporações – Fórum Mundial da Água.
Também estamos aqui para denunciar a 8º edição do Fórum Mundial da Água (FMA), o Fórum das Corporações, evento organizado pelo chamado Conselho Mundial da Água, como um espaço de captura e roubo das nossas águas. O Fórum e o Conselho são vinculados às grandes corporações transnacionais e buscam atender exclusivamente a seus interesses, em detrimento dos povos e da natureza.
Nossas constatações sobre o momento histórico
O modo de produção capitalista, historicamente, concentra e centraliza riqueza e poder, a partir da ampliação de suas formas de acumulação, intensificação de seus mecanismos de exploração do trabalho e aprofundamento de seu domínio sobre a natureza, gerando a destruição dos modos de vida. Vivemos em um período de crise do capitalismo e de seu modelo político representado pela ideologia neoliberal, na qual se busca intensificar a transformação dos bens comuns em mercadoria, através de processos de privatização, precificação e financerização.
A persistência desse modelo tem aprofundado as desigualdades e a destruição da natureza, através dos planos de salvamento do capital nos momentos de aprofundamento da crise. Nesse cenário, as ações do capital são orientadas pela manutenção a qualquer custo das suas taxas de juros, lucro e renda.
Esse modelo impõe à América Latina e ao Caribe o papel de produtores de artigos primários e fornecedores de matéria prima, atividades econômicas intensivas em bens naturais e força de trabalho.  Subordina a economia desses países a um papel dependente na economia mundial, sendo alvos prioritários dessa estratégia de ampliação da exploração a qualquer custo.
O Brasil, que sedia esta edição do FAMA, é exemplar nesse sentido. O golpe aplicado recentemente expõe a ação coordenada de corporações com setores do parlamento, da mídia e do judiciário para romper a ordem democrática e submeter o governo nacional a uma agenda que atenda seus interesses rapidamente. A mais dura medida orçamentária do mundo foi implantada em nosso país, onde o orçamento público está congelado por 20 anos, garantindo a drenagem de recursos públicos para o sistema financeiro e criando as bases para uma onda privatizante, incluindo aí a infraestrutura de armazenamento, distribuição e saneamento da água.
Quais são as estratégias das corporações para a água?
Identificamos que o objetivo das corporações é exercer o controle privado da água através da privatização, mercantilização e de sua titularização, tornando-a fonte de acumulação em escala mundial, gerando lucros para as transnacionais e ao sistema financeiro. Para isso, estão em curso diversas estratégias que vão desde o uso da violência direta até formas de captura corporativa de governos, parlamentos, judiciários, agências reguladoras e demais estruturas jurídico-institucionais para atuação em favor dos interesses do capital. Há também uma ofensiva ideológica articulada junto aos meios de comunicação, educação e propaganda que buscam criar hegemonia na sociedade contrária aos bens comuns e a favor de sua transformação em mercadoria.
O resultado desejado pelas corporações é a invasão, apropriação e o controle político e econômico dos territórios, das nascentes, rios e reservatórios, para atender os interesses do agronegócio, hidronegócio, indústria extrativa, mineração, especulação imobiliária e geração de energia hidroelétrica. O mercado de bebida e outros setores querem o controle dos aquíferos. As corporações querem também o controle de toda a indústria de abastecimento de água e esgotamento sanitário para impor seu modelo de mercado e gerar lucros ao sistema financeiro, transformando direito historicamente conquistado pelo povo em mercadoria. Querem ainda se apropriar de todos os mananciais do Brasil, América Latina e dos demais continentes para gerar valor e transferir riquezas de nossos territórios ao sistema financeiro, viabilizando o mercado mundial da água
Denunciamos as transnacionais Nestlé, Coca-Cola, Ambev, Suez, Veolia, Brookfield (BRK Ambiental), Dow AgroSciences, Monsanto, Bayer, Yara, os organismos financeiros multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, e ONGs ambientalistas de mercado, como The Nature Conservancy e Conservation International, entre outras que expressam o caráter do “Fórum das Corporações”. Denunciamos o crime cometido pela Samarco, Vale e BHP Billiton, que contaminou com sua lama tóxica o Rio Doce, assassinando uma bacia hidrográfica inteira, matando inúmeras pessoas, e até hoje seu crime segue impune. Denunciamos o recente crime praticado pela norueguesa Hydro Alunorte que despejou milhares de toneladas de resíduos da mineração através de canais clandestinos no coração da Amazônia e o assassinato do líder comunitário Sergio Almeida Nascimento que denunciava seus crimes. Exemplos como esses têm se reproduzido por todo o mundo.
Os povos têm sido as vítimas desse avanço do projeto das corporações. As mulheres, povos originários, povos e comunidades tradicionais, populações negras, migrantes e refugiados, agricultores familiares e camponeses e as comunidades periféricas urbanas têm sofrido diretamente os ataques do capital e as consequências sociais, ambientais e culturais de sua ação.
Nos territórios e locais onde houve e/ou existem planos de privatização, aprofundam-se as desigualdades, o racismo, a violência sexual e sobrecarga de trabalho para as mulheres, a criminalização, assassinatos, ameaças e perseguição a lideranças, demissões em massa, precarização do trabalho, retirada e violação de direitos, redução salarial, aumento da exploração, brutal restrição do acesso à água e serviços públicos, redução na qualidade dos serviços prestados à população, ausência de controle social, aumentos abusivos nas tarifas, corrupção, desmatamento, contaminação e envenenamento das águas, destruição das nascentes e rios e ataques violentos aos povos e seus territórios, em especial às populações que resistem às regras impostas pelo capital.
A dinâmica de acumulação capitalista se entrelaça com o sistema hetero-patriarcal, racista e colonial, controlando o trabalho das mulheres e ocultando intencionalmente seu papel nas esferas de reprodução e produção. Nesse momento de ofensiva conservadora, há o aprofundamento da divisão sexual do trabalho e do racismo, causando o aumento da pobreza e da precarização da vida das mulheres.
A violência contra as mulheres é uma ferramenta de controle sobre nossos corpos, nosso trabalho e nossa autonomia. Essa violência se intensifica com o avanço do capital, refletindo-se no aumento de assassinato de mulheres, da prostituição e da violência sexual. Tudo isso impossibilita as mulheres de viver com dignidade e prazer.
Para as diversas religiões e espiritualidades, todas essas injustiças em relação às águas e seus territórios, caracterizam uma dessacralização da água recebida como um dom vital, e dificultam as relações com o Transcendente como horizonte maior das nossas existências.
Destacamos que para os Povos Originários e Comunidades Tradicionais há uma relação interdependente com as águas, e tudo que as atinge, e que todos os ataques criminosos que sofre, repercutem diretamente na existência desses povos em seus corpos e mentes. Esses povos se afirmam como água, pois existe uma profunda unidade entre eles e os rios, os lagos, lagoas, nascentes, mananciais, aquíferos, poços, veredas, lençóis freáticos, igarapés, estuários, mares e oceanos como entidade única. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada.
Por fim, constatamos que a entrega de nossas riquezas e bens comuns conduz a destruição da soberania e a autodeterminação dos povos, assim como a perda dos seus territórios e modos de vida.
Mas nós afirmamos: resistimos e venceremos!
Nossa resistência e luta é legítima. Somos os guardiões e guardiãs das águas e defensores da vida. Somos um povo que resiste e nossa luta vencerá todas as estruturas que dominam, oprimem e exploram nossos povos, corpos e territórios. Somos como água, alegres, transparentes e em movimento. Somos povos da água e a água dos povos.
Nestes dias de convívio coletivo, identificamos uma extraordinária diversidade de práticas sociais, com enorme riqueza de culturas, conhecimento e formas de resistência e de luta pela vida. Ninguém se renderá. Os povos das águas, das florestas e do campo resistem e não se renderão ao capital. Assim também tem sido a luta dos povos, dos operários e de todos os trabalhadores e trabalhadoras das cidades que demonstram cada vez maior força. Temos a convicção que só a luta conjunta dos povos poderá derrotar todas as estruturas injustas desta sociedade.
Identificamos que a resistência e a luta têm se realizado em todos os locais e territórios do Brasil e do mundo e estamos convencidos que nossa força deve caminhar e unir-se a grandes lutas nacionais e internacionais. A luta dos povos em defesa das águas é mundial.
Água é vida, é saúde, é alimento, é território, é direito humano, é um bem comum sagrado.
O que propomos
Reafirmamos que as diversas lutas em defesas das águas dizem em alto e bom som que água não é e nem pode ser mercadoria. Não é recurso a ser apropriado, explorado e destruído para bom rendimento dos negócios. Água é um bem comum e deve ser preservada e gerida pelos povos para as necessidades da vida, garantindo sua reprodução e perpetuação. Por isso, nosso projeto para as águas tem na democracia um pilar fundamental. É só por meio de processos verdadeiramente democráticos, que superem a manipulação da mídia e do dinheiro, que os povos podem construir o poder popular, o controle social e o cuidado sobre as águas, afirmando seus saberes, tradições e culturas em oposição ao projeto autoritário, egoísta e destrutivo do capital.
Somos radicalmente contrários às diversas estratégias presentes e futuras de apropriação privada sobre a água, e defendemos o caráter público, comunitário e popular dos sistemas urbanos de gestão e cuidado da água e do saneamento. Por isso saudamos e estimulamos os processos de reestatização de companhias de água e esgoto e outras formas de gestão. Seguiremos denunciando as tentativas de privatização e abertura de Capital, a exemplo do que ocorre no Brasil, onde 18 estados manifestaram interesse na privatização de suas companhias.
Defendemos o trabalho decente, assentado em relações de trabalho democráticas, protegidas e livre de toda forma de precarização. Também é fundamental a garantia do acesso democrático e sustentável à água junto à implementação da reforma agrária e defesa dos territórios, com garantia de produção de alimentos em bases agroecológicas, respeitando as práticas tradicionais e buscando atender a soberania alimentar dos trabalhadores e trabalhadoras urbanos e do campo, florestas e águas.
Estamos comprometidos com a superação do patriarcado e da divisão sexual do trabalho, pelo reconhecimento de que o trabalho doméstico e de cuidados está na base da sustentabilidade da vida. O combate ao racismo também nos une na luta pelo reconhecimento, titulação e demarcação dos territórios dos povos originários e comunidades tradicionais e na reparação ao povo negro e indígena que vive marginalizado nas periferias dos centros urbanos.
Nosso projeto é orientado pela justiça e pela solidariedade, não pelo lucro. Nele ninguém passará sede ou fome, e todos e todas terão acesso à água de qualidade, regular e suficiente bem como aos serviços públicos de saneamento.
Nosso plano de ações e lutas
A profundidade de nossas debates e elaborações coletivas, o sucesso da nossa mobilização, a diversidade do nosso povo e a amplitude dos desafios que precisam ser combatidos nos impulsionam a continuar o enfrentamento ao sistema capitalista, patriarcal, racista e colonial, tendo como referência a construção da aliança e da unidade entre toda a diversidade presente no FAMA 2018.
Trabalharemos, através de nossas formas de luta e organização para ampliar a força dos povos no combate à apropriação e destruição das águas. A intensificação e qualificação do trabalho de base junto ao povo, a ação e a formação política para construir uma concepção crítica da realidade serão nossos instrumentos. O povo deve assumir o comando da luta. Apostamos no protagonismo e na criação heroica dos povos.
Vamos praticar nosso apoio e solidariedade internacional a todos os processos de lutas dos povos em defesa da água denunciam a arquitetura da impunidade, que, por meio dos regimes de livre-comércio e investimentos, concede privilégios às corporações transnacionais e facilitam seus crimes corporativos.
Multiplicaremos as experiências compartilhadas no Tribunal Popular das Mulheres, para a promoção da justiça popular, visibilizando as denúncias dos crimes contra a nossa soberania, os corpos, os bens comuns e a vida das mulheres do campo, das florestas, águas e cidades.
A água é dom que a humanidade recebeu gratuitamente, é direito de todas as criaturas e bem comum. Por isso, nos comprometemos a unir mística e política, fé e profecia em suas práticas religiosas, lutando contra os projetos de privatização, mercantilização e contaminação das águas que ferem a sua dimensão sagrada.
O Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) apoia, se solidariza e estimulará todos os processos de articulação e de lutas dos povos no Brasil e no mundo, tais como a construção do “Congresso do Povo”, do “Acampamento Terra Livre”, da “Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos”, da “Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo”; da campanha internacional para desmantelar o poder corporativo e pelo “tratado vinculante” como ferramenta para exigir justiça, verdade e reparação frente aos crimes das transnacionais.
Convocamos todos os povos a lutar juntos para defender a água. A água não é mercadoria. A água é do povo e pelos povos deve ser controlada.
É tempo de esperança e de luta. Só a luta nos fará vencer. Triunfaremos!
Assinam a declaração:
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
Articulação Semiárido Brasileiro
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
Cáritas Brasil
Central de Movimentos Populares
Conselho Nacional das Populações Extrativistas
Confederação Nacional dos Urbanitários
Confederação Nacional das Associações de Moradores
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
Comissão Pastoral da Terra
Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas
Central Única dos Trabalhadores
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal
Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental
Federação Nacional dos Urbanitários
Federação Única dos Petroleiros
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental
Internacional de Serviços Públicos
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento dos Atingidos por Barragens
Movimento dos Pequenos Agricultores
Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
ONG Proscience
Rede Mulher e Mídia
Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia
Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental
Vigência


Do FAMA 2018, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/03/2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

VAZAMENTO CATASTRÓFICO DE REJEITO - BARCARENA (PA)

Fernando Gabeira foi até Barcarena para registrar a calamidade ocorrida na mineração de bauxita, com o vazamento de uma barragem de rejeitos. A empresa nega o óbvio, tenta esconder. Por que todas as empresas de mineração procedem desta maneira?

Não deixe de assistir a reportagem.

Clique AQUI.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

POSSE DE MARIA TERESA CAMBRONIO DA ACADEMIA DE LETRAS

Em 22 de janeiro de 2017, na presença de membros da Academia de Letras do Noroeste de Minas - ALNM e de convidados, tomou posse da Cadeira 39 a poeta e escritora Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio. Na ocasião, Maria Teresa homenageou Patrono da Cadeira 39, Anthonio Teodoro da Silva Neiva, "um dos mais proeminentes intelectuais que se instalou em Goiás, mercê de sua dedicação ao estudo da geografia, da história, da antropologia e por fim, da ciência do Direito." 


A cerimônia foi conduzida pelo acadêmico Tarzan Leão de Castro, que compôs a mesa de honra com Maria José Gonçalves “Zequinha”, Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio, Palmo Bianchi, Coraci da Silva Neiva Batista e a presidente da Casa, Helen Ulhoa Pimentel..
Membros da Academia de Letras prestigiaram o evento. Da esquerda para a direita: Márcio Santos, Coraci Neiva, Palmo Bianchi, Benedita Soares, Maria José Gonçalves, Maria Teresa Cambronio, Florival Ferreira, Marcos Spagnuolo, Tarzan de Castro e Helen Pimentel.

Seguindo as normas da Academia, Maria Teresa foi recebida por Maria José Gonçalves, em nome dos integrantes mais antigos, expondo a sua biografia. Além de poeta, cuja atividade a credenciou para ingressar na Academia, Maria Teresa tem intensa participação na sociedade paracatuense, principalmente na área educacional. Para ler a biografia mais detalhada de Maria Teresa, clique AQUI.


As jovens cantoras, Cássia Ester e Leisle, abrilhantaram a noite com duas belas canções.
Veja o vídeo da apresentação da dupla de cantoras, clique AQUI.
Durante a solenidade Maria Teresa discorreu sobre a trajetória de vida e obra de Antônio Theodoro da Silva Neiva, ilustre filho de Manoel da Silva Neiva - o saudoso Dr. Maneco - e de D. Antonina Aquino Neiva.
Para conhecer mais sobre a vida e obra do Dr. Antônio Theodoro, clique AQUI.


A educadora Ruth Brochado apresenta ao público o poema de Maria Teresa em homenagem ao Patrono da Cadeira 39, Antônio Theodoro da Silva Neiva.
A seguir o poema de Maria Teresa em homenagem ao Patrono e inspirado nos feitos de Antônio Theodoro da Silva Neiva, o qual é apresentado a seguir. Se quiser acessar o vídeo com a declamação, clique AQUI.

A Grande Viagem

A vida é trem bala, como Ana Vilela descreve em sua canção
Cada qual segue escrevendo sua história mesmo repleta de derrotas e glórias
É necessário fazer a grande viagem com pompa e coragem
Assim como viajou com grandeza, Antônio Theodoro da Silva Neiva
Ainda menino se tornou professor
Embalado e encantado pela ciência se especializou em apicultura
Deliciando os momentos doces da grande viagem
Ótimo filho e irmão, exímio Advogado-juiz, marido, pai e avô.
Na solidão da viuvez e na senilidade concluiu sua obra prima, “Antropologia Goiana” que nesse ponto da viagem acelerou.
Homem de fé e coragem, não brilhou por escolhas caras.
Destacou-se pelas escolhas raras!
Advogado e juiz de sua própria história ostentou apenas as escolhas raras
É como diz a canção, a vida é trem bala, precisa-se fazer a grande viagem
Assim como fez Antônio Theodoro, o professor, advogado, escritor e juiz
Viajou com virtude, honradez e excelência em todos os lugares em que viveu
Theodoro contemporaneamente viaja na companhia de Deus!



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

ALICÉRIO HONORATO

Na noite 01 de dezembro, sexta-feira, o novo escritor paracatuense Alicério Honorato lançou seu livro de poesias Andanças. Alicério, com a calma que parece lhe ser peculiar, esgotou a tiragem inicial do livro, dando autógrafos para uma multidão.
Alicério autografa para a jornalista Uldicéia Kaiowá, enquanto Maria Teresa Cambronio lê um dos poemas do autor.

Nunca vimos a casa da Academia de Letras tão cheia! Mesmo com a ameaça de chuva, que afinal não caiu, as pessoas, de todas as idades, ali chegavam como quem chega para abraçar um amigo. Nós, que não conhecíamos Alicério, também ficamos surpreendidos por sua simpatia, cordialidade e tranquilidade. Algumas pessoas ali presentes afirmavam: ele é uma figura!
A presidente da ALNM Helen Pimentel, e o vice-presidente Márcio Santos no evento do lançamento do livro Andanças, de Alicério Honorato.
Alicério teve pouca escola, de maneira que precisou contar com a ajuda de sua irmã, que transcrevia o que ele ditava. A acadêmica Maria Teresa Cambronio colaborou na revisão. Embora ele próprio se julgue um matuto, sua poesia é de excelente qualidade.
O poema inicial do livro, com o qual homenageia sua primeira neta, que estava para nascer, dá mostra do valor poético de Alicério. Vejamos a primeira estrofe!

Espera
Onde andas, pequeno ser que demoras
Dar o ar de sua graça?
Espero-te a cada pôr do sol em uma destas tardes
Em que o vermelho poente com toda certeza toca nossa imaginação.

A fila de espera dos autógrafos se estendeu além do salão e, durante mais de duas horas, Alicério autografou pacientemente e ofereceu um mimo a cada pessoa presente.
Nem só de doces encantos fala Alicério. Na Apresentação do livro, Maria Teresa Cambronio afirma: “O autor é corajoso e preciso em suas ideias, evidencia em seu poemas, além da fé e do amor a Deus, temas ligados aos problemas de seu tempo, como: preconceito, injustiças, desvios de dinheiro público, violência, insegurança etc.”

Ficamos sabendo que Alicério tem mais de 100 crônicas não publicadas. Talvez um dia ele se decida a nos revelar um outro aspecto de sua capacidade literária.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

EMPRESA FRANCESA POLUIU A PRINCIPAL FONTE QUE ABASTECE PARACATU

Grande parte da cidade de Paracatu - MG ficou dois dias sem água. A explicação da Copasa é que as chuvas teriam levado muita lama para o Ribeirão Santa Isabel, que abastece a cidade, havendo necessidade de interrupção do bombeamento para manutenção. Foi esta a explicação que obtive no posto de atendimento da Copasa em Paracatu.

Na manhã de segunda feira, 27/11/2017, o programa Rota do Crime, recebeu uma grave denúncia dando conta de poluição no Ribeirão Santa Isabel, que poderia ser a principal causa do interrompimento do abastecimento de água potável em toda cidade. A equipe deslocou-se até a zona rural e constatou que uma grande quantidade de terra vermelha estava sendo diretamente lançada ao Ribeirão. 

A empresa Solaire Paracatu, de capital francês, está implantado um sistema de geração de energia fotovoltaica, a qual será "exportada" para a rede da CEMIG.  Durante o serviço de terraplanagem, para a instalação de placas solares, ela teria empurrado o material removido diretamente para as margens do Ribeirão, provocando os danos ambientais, degradando a bacia hidrográfica e prejudicando toda a população de Paracatu. 

A Polícia Ambiental de Paracatu tomou as providências pertinentes, autuando a Solaire e dando voz de prisão a Júlio Augusto de Melo Lima, engenheiro eletricista,  e ao eletrotécnico, Cláudio Cunha Garcia, pelos danos ambientais causados em Área de Preservação Permanente.

Imagem do Ribeirão Santa Isabel, que fornece 70% da água consumida em Paracatu, após o desastre ambiental provocado pela empresa de capital francês Solaire Paracatu.

Como é notório, Paracatu ficou em estado de emergência devido à falta d'água durante a estiagem. O município já tem a bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Rita entupida e poluída (para sempre) pelos rejeitos de mineração aurífera da Kinross; agora sofre o impacto de mais uma agressão ambiental direta. Os acionistas dessas multinacionais não tomam conhecimento dos processos de degradação humana e ambiental que vivemos; para eles, interessam os ganhos do capital investido.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

SEMANA GUIMARÃES ROSA - OS AVESSOS

Na programação da Semana Guimarães Rosa, da Academia de Letras do Noroeste de Minas foi apresentada em sessão única no dia 19 de novembro, às 20 horas, no Auditório da EE Antônio Carlos, em Paracatu – MG, a peça Os Avessos, do Grupo Arte & Fatosa Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Trata-se de uma adaptação do conto Sorôco, Sua Mãe, Sua Filha, de João Guimarães Rosa, com direção e dramaturgia de Danilo Alencar, trazendo no elenco os atores André Larô, Taís Monteiro, Leopoldo Rodrigues e Rita Alves.



Segundo o diretor Danilo Alencar, a obra de Guimarães Rosa, com suas personagens criadas de forma genial, “nos remete a um mundo povoado por pessoas invisíveis na perspectiva da sociedade. São vistos, mas não são enxergados. Sorôco, como tantos, não tem opção. Após anos de luta tentando administrar a loucura da mãe e da filha se vê obrigado a despachá-las de trem para um hospício”, afirma. A narrativa, segundo ele, é feita, por uma personagem que presenciou no passado, em uma estação, o embarque das duas.  



“A catarse acontece quando o espectador se junta a outras pessoas reunidas na estação para o último adeus às duas criaturas, numa viagem sem volta, rumo ao Hospício de Barbacena. Elas não mais pertencem ao pseudo mundo "normal", explica o diretor. Vale saber a que lado elas pertencem, afinal: quem são os loucos, quem são os sãos? Quão distantes estão de nós? Pois, “a loucura enche os vazios da vida, solta fogos de artifícios, escancaram os horizontes”.




O público presente encantou-se com a performance do Grupo Arte & Fatos, aplaudindo de pé o elenco.

Para assistir ao vídeo deste evento, clique AQUI.